terça-feira, 25 de setembro de 2012

A SAGA DOS CONTERRANOS EM SÃO SÃO PAULO

OS CONTERRANOS EM SÃO PAULO 
Por sofrer, o Conterrano
Nas agruras do sertão
De Minas ao Ceará
Da Bahia ao Maranhão..
De tanto ser abandonado
Deixa ser lar, seu estado
E se arriba do seu chão
2
O rico Estado de São Paulo
Sempre foi natural destino
De Brasileiros e estrangeiros
Homem, mulher e menino
Terra de oportunidades
De trabalho nas cidades
Qualidade de vida, e de ensino
3
A gente chega em São Paulo
De todos os brasileiros
Que acolhe os Nordestinos
E também os estrangeiros
Esta terra abençoada
Também é a nossa Terra Amada
Do nosso povo guerreiro.
4
Já à muito mais de cem anos
Ocorre esta Imigração
Conterrânos obrigados
A deixar seu próprio chão
Criando novas raízes
Muitos casam e são felizes
De geração em geração
5
Muitos Nordestinos chegam
Meio as dificuldades
Pouco dinheiro no bolso
E muita força de vontade
E pra pousar, ter moradias
Acabam nas Periferias
Das mais diversas cidades
6
A gente já chega perdendo
Na Sociedade paulista
Sendo rico ou sendo pobre
Sendo operário ou artista
Tendo que se colocar
E encontrar nosso lugar
Numa sociedade exclusivista
7
Desde cedo a gente nota
Como é dura a Realidade
Quando procuramos emprego
Em qualquer atividade.
Vem a Discriminação
Desrespeito, exploração
Em cada canto da cidade
8
Sem as oportunidades
No emprego e no ensino,
Muitos pra sobreviver
Tem um emprego clandestino
Só com muita inteligência
Sorte, estudo e paciência
Sobrevivem os Nordestinos
9
Como fossemos Refugiados,
Imigrantes ilegais,
Nós somos desrespeitados
Clandestinos Raciais.
Em nosso próprio País,
Sem nossos Direitos Civis
Sociais e culturais
10
Muitos passam a vida inteira
Sem nunca ter onde morar
Nas garras do aluguel,
Todos fingem não notar.
A nossa gente nordestina
Numa sociedade assassina
Sem um teto e, sem um lar
11
Por mais que a gente trabalha
E tem fé em Deus lá no céu
Comprar uma casa ou um barraco
É mais amargo do que fél...
Como sofre humilhação,
Nosso Povo do Sertão,
Na Periferia e no Aluguel.
12
Quase toda a população
Que vive nas Comunidades
De áreas livre e favelas
Em todos os bairros e cidades,
É formada por nossa gente
Tão humilhada e tão carente
Longe das autoridades
13
Essa é a dura Realidade
Não adianta negar
Por orgulho ou vaidade
Nos iludir, nos enganar.
Poucos vivem na fartura
Pra maioria é só desventura
E o desejo de voltar..
14
Nós não queremos Esmolas
E nem Assistencialismo
...Só Queremos Nossos Direitos
Exercer nosso Civismo.
Direito à Cidadania
Respeito, Trabalho, Moradia
Sem preconceito ou Racismo
15
Parecemos, em São Paulo
Refugiados e estrangeiros
Imigrantes, ilegais,
Um povo sem paradeiro.
Tamanha é a xenofobia,
A #Conterranofobia
Com o Nordestino Brasileiro
16
Há preconceito de Raça
Aos #Conterrânos, #Nordestinos
Por sermos caboclos, afroíndios
Sangue índio, afro, ou latino
Por nossa #Conterranidade
Nossa #Racialidade
De Marias e Severinos
17
Nos sentimos em um Sistema
De Apartheid Cultural.
Trabalhadores explorados,
Preconceito Social
Por Sindicatos e pelo Estado
Só somos considerados
Como Trabalhador Braçal
18
Como é dura a vida
Do nosso trabalhador!
Do Operário em construção
Boia-fria, carregador,
Vítimas de exploração,
Da baixa remuneração,
Do Empresário e do Doutor
19
Trabalhadoras nordestinas
Conterrânas do sertão
São as mulheres que mais sofrem
Racismo e exploração
Em senzalas residenciais
Sofrendo nas áreas rurais
Na Social Escravidão
20
Se não houvesse o Racismo
Conterranofobia,
Os Conterrânos em São Paulo
Teria mais alegria.
Se as oportunidades
Fossem iguais pela cidade
O nosso povo não sofria
21
Sob Novos Dominantes
Novos Colonizadores
A Prole herdeira e racista
Dos Antigos Opressores.
GANANCIOSOS GLOBALISTAS
Felizes Futebolistas
Nossos novos Predadores
22
O semblante do meu rosto
É o meu puro lamento
Retrata minha tristeza
Estampa meu sofrimento.
De ser excluído nesta terra
Onde a gente sofre, se ferra
Sem nunca ter um alento
23
Fui trazido por meus pais
Quando ainda era um menino
Favela e Periferia,
Foi nosso duro destino
Apesar das cicatrizes
Nunca perdi Minhas Raízes
De CONTERRANO, Nordestino
24
Nunca tive Instrução
Didática, Escolar,
Não tive oportunidades
Para poder estudar
Sem escola, sem ensino
Como muitos Nordestinos,
No Mundo fui me formar
25
Não tive Escola, Faculdade
Mas eu já me Doutorei:
Não tenho Diploma de Poeta
Mas em POÉTICA, me formei.
A minha escola querida
É a Universidade da VIDA
Onde eu sempre estudei
26
Me instruí por mim mesmo
Com esforço e dedicação
Lendo as páginas da vida
Adquiri Instrução
Profissional, Cultural
Poética, Intelectual,
Para honrar nosso Sertão
27
Dezesseis anos de Favela
Sonhando vencer um dia
Dezoito anos no Aluguel
Sem ter digna moradia.
Mal ganho para meu pão
Não pude comprar meu Chão
No Exílio da Periferia
28
Hoje não sou analfabeto
Porque sou inteligente
Sou Autodidata e Poeta
Conterrâno Consciente.
Enquanto eu tiver alento
Poesia no pensamento
Vou defender minha gente
29
Vou ensinar o Conterranismo
Expor o Nosso Ideal
Buscar Justiça e Igualdade
Social e Cultural.
Orientar meus irmãos
A ter Ideologia, e união
Em um plano nacional
30
Os nossos Trabalhadores
Seriam mais respeitados
Os Artistas Forrozeiros
Não seriam mais humilhados
Com a união da nossa gente
Numa grande Sociedade Oxente
Em cada cidade, e em cada estado
31
Não basta nos aliarmos
A candidatos ou Partidos
Sermos cabos eleitorais
De políticos conhecidos
Que mesmo tendo boa vontade
Não tem Conterranidade
E não são os nossos escolhidos
32
Só nossa gente conhece
Nossa luta e nossa dor
A Sêca, a luta na Roça
O nosso Grande valor.
Para nos representar
Vamos aprender a votar
No Conterrâno Lutador
33
Entre os Povos Brasileiros
Deve haver Democracia
Igualdade e Respeito
Sem a infame xenofobia
Mas no Brasil predomina
A Sistemática assassina
Da Conterranofobia
34
Não há Cultura mais rica
Que a Cultura do Sertão
Da Caatinga, do Cangaço
Do Folclore e o Artesão
Do Aboio do Vaqueiro
Repente, viola e pandeiro
Poesia, rima e canção
35
Festa do Bumba-Meu-Boi
A Festa de São João
Literatura de Cordel
A Tapioca e o Requeijão
Rapadura, Farinha, Buchada
O “Velho Chico,” a Vaquejada
Forró, Xaxado e Baião
36
FORRÓ, não é ritmo ou estilo
É o nosso Complexo Musical
Que vai do Forró Moderno
Ao Forró Tradicional.
Forró Pé-de-Serra, Tecladistas,
Trios, Bandas e Artistas,
Nosso orgulho nacional
37
Cada Cultura em São Paulo
Tem a sua Ideoidentidade
O seu espaço na Mídia
Nos Calendários das cidades
Tem Representantes Políticos
E os seus Costumes Típicos
Numa grande Diversidade
38
No Espaço Sociocultural
Entre os Povos Paulistanos:
Caipiras ou Nordestinos;
GaysAfrosItalianos;
Na divisão cultural,
Ou na divisão social,
Quem perde são os Conterrânos
39
Como podemos crescer,
Dentro da Sociedade,
Se no Sociocultural
Impedem nossa mobilidade?
Sem ascensão social,
Vítimas de um antigo mal:
Anticonterranidade
40
A nossa CULTURA OXENTE
Ou "Cultura nordestina"
Na Imprensa ou Mídia paulista
Sofre uma triste sina:
Ela é discriminada
Excluída e Segregada
Por uma Malta ferina
41
O preconceito ao Forró
Gera Exclusão Cultural
Vergonhosa “forrófobia
A nosso Complexo musical
Não fosse a Conterranofobia
O Forró hoje estaria
Em toda Mídia nacional
42
Contra o Forró, o preconceito
É explícito e sem pudor
Contra o Músico Forrozeiro
O Empresário, o produtor.
Sem Rádios e Televisão
Forródromos, Centros de Tradição
Para exaltar o nosso valor
43
Fora das grandes emissoras
De Rádio e Televisão,
Radialistas, Apresentadores
Sofrem discriminação.
Competentes profissionais
Jornalistas, Intelectuais,
Vítimas de Segregação
44
Nas tais “Grandes Emissoras”
Só a Rádio Imprensa é exceção
Das Senzalas Do do Dia a Dia
Do Rádio e da Televisão.
De uma Mídia Corporativa
Oxentefobica e nociva
Para a Cultura do Sertão
45
Só resta a Mídia Alternativa
Para nossa divulgação.
Nossas Rádios Comunitárias
Sofrendo perseguição.
Pois somos todos perseguidos
Desrespeitados, excluídos
Dos Meios de Comunicação
46
Como é dura a vida
Do Profissional Forrozeiro!
Marcado por um Sistema
Perseguidor e rasteiro.
Que oprime e discrimina
Cultura Nordestina
De todos os Brasileiros
47
É como se houvesse uma “Lei”
Camuflada CONSPIRAÇÃO
Impedindo os Forrozeiros
De aparecer na televisão
Deixo um desafio marcado:
PROVEM QUE ESTOU ERRADO,
QUE NÃO EXISTE A EXCLUSÃO !
48
O nosso Povo, humilhado
Na busca por solução
Se humilha a Não-nordestinos
Do Rádio e Televisão
Grandes Comunicadores
Que exploram nossas dores
E só ilude o nosso irmão
49
Sempre que nosso FORRÓ
Começa a aparecer,
Sempre encontram SOLUÇÃO
Pra nos calar e nos conter.
De Goiás, Bahia, Pará
AO FORRÓ, PARASITAR,
Só pra nos desmerecer
50
Convido os Irmãos Brasileiros
De todas as Raças Culturas
Os verdadeiros Patriotas
Contrários a essa loucura:
Que ouçam nosso lamento
E vejam nosso sofrimento
Sob esta Infame Ditadura
51
Clamo aos Conterrânos famosos
Os bem mais realizados:
Não se esqueçam do meu povo
Carente e abandonado.
O nosso Povo lutador
Longe do Artista e do Doutor
Penando aqui neste Estado.
52
Triste do Artista forrozeiro
Que renega sua Cultura.
Renega suas Origens
Em um mal que não tem cura.
Vende sua Alma Cultural
Ao Popularismo mundial
Na mais ingrata aventura
53
Triste daquele Conterrâno
Que renega sua Raíz.
E se embriaga com o dinheiro,
Tornando-se um infeliz.
Defendendo Os Ideais
Dos que roubam nossa paz
Com seus Laços e Ardíz...
54
Muitos Conterrânos ricos
Só pensam em sua vaidades
Em seus pequenos impérios
De fama e prosperidade.
Por preconceito ou ambição
Esquece o Povo do Sertão
E nossas necessidades
55
Tem outros que são omissos
São individualistas.
Só preocupam-se com a FAMA
Os seus Shows, e seus Artistas.
Seu Ideal é ganhar dinheiro,
Inconsequentes forrozeiros
Sem bandeira e egoístas.
56
Ainda bem que há Conterrânos
Que tem Ideologia,
Mesmo buscando Riqueza
Não se vende, ou se desvia...
São a nossa Esperança
De Luta, de Liderança
Em quem a gente confia
57
Se cada Artista famoso,
Empresário, Comerciante
Tomasse a iniciativa
De ajudar nosso migrante.
Se unindo a Trabalhadores,
Idealistas e Doutores,
A todo Povo Retirante.
58
Mesmo que uma vez ao mês
Houvesse uma Reunião
Muita coisa ia ser decidida
Pelo bem do nosso Irmão.
Na Cultura, no social
No Forró, no Tradicional
Essa é a nossa Missão.
59
Somos todos desunidos
Entre nós não há IRMANDADE,
Conterranos sem Direção
Em todos os bairros e cidades.
Nosso povo sempre a sofrer,
Sem ter a quem recorrer
Em  NOSSA necessidade.
60
Se todos continuarem
Olhando seu próprio umbigo
No individualismo cego,
Só preocupando-se consigo.
Os Conterrânos vão sofrer
Longe da Mídia e do Poder,
Sem conhecer Nosso Inimigo
61
Mas mesmo com tantas Barreiras
E com tanto Impedimento
Falta de FRATERNIDADE
Só desunião e sofrimento.
Provamos quanto somos fortes
Dignos até a morte !
..Só com Deus no Pensamento
62
Conterrâno é valente
Na luta contra a Exclusão
Nunca enjeita trabalho
Vive de calo na mão.
Na rua, empresa, ou em casa
Carregador no Ceasa
Operário em construção.
63
Montamos Casas do Norte
Empresas, Bandas, Salão,
Rádios pra tocar Forró
Programas na Televisão.
Pelo Brasil a conquistar
O verdadeiro lugar
Do meu Povo do Sertão
64
Somos um Povo honrado
De grande Dignidade
De Poetas e Vaqueiros
Sementes da Cristandade...
Trabalhadores de brio
Construtores do Brasil
E da nossa Brasilidade
65
Em todos os bairros e cidades
Sempre há um Tecladista
Tocando em bares, salões
Nossos heróicos artistas.
Pelo pão, pelo respeito
Derrubando o preconceito
Dos Forrozeiros paulistas
66
Grandes Artistas do Forró
Se instalaram na cidade,
Pra mostrar ao Povo Paulista
Nossa Musicalidade.
Nordestinos, Mineiros do Sertão
Vencem a Discriminação
Com Suor e Qualidade
67
Nosso FORRÓ PÉ-DE-SERRA
Guarda a nossa Tradição
Das Raízes do Forró
Xaxado, xote, baião
No tocar do Sanfoneiro
Trianguleiro, Zabumbeiro,
As Raízes do Sertão
68
E criamos Raízes em São Paulo
Mas com a firme vontade
De voltarmos qualquer dia
Para nossas lindas cidades
Norte de Minas, ou Nordeste
Sertão, Cariri, Agreste.
Lá estão nossas saudades
89
E quando bate a saudade,
Do São João, da Vaquejada,
Da Roça, do Interior,
Nossa Família Amada.
De orelhão ou celular
Da rua ou do nosso lar
A distancia é enganada
70
Mas sempre fica um Vazio
Que não se pode preencher
Um sentimento dividido
Um querer, e não querer...
Entre a vontade de ficar,
Ou o desejo de voltar,
Qual irá prevalecer?
71
O Nordestino Ama São Paulo
Sendo bom, sendo ruim
Mas não há dinheiro que pague
Esta saudade sem fim
Muitos dos que vem pra cá
Nunca vão se acostumar
Como aconteceu a mim.
72
Só Deus sabe o sofrimento
Que nesta terra já passei
Com minha Esposa e Filhos.
Meu Deus, quanto chorei !
Tão longe do meu Sertão
Sem rever mais o meu Chão
E tudo que lá deixei
73
Importa mesmo que um dia
A gente possa voltar
Por nossa Conterranidade
Como um Dever a nos guiar
Uma Peregrinação na vida
A nossa Terra Prometida:
O Sertão, que é o Nosso Lar
74
Deixo aqui esta mensagem
Á Sociedade Paulista.
Políticos e Empresários,
Jornalistas e Artistas:
“Nosso povo está cansado
De ser excluído, desrespeitado
Em seu sistema exclusivista".
75
Tudo que exigimos é:
Igualdade e Respeito,
Direito à Cidadania:
Um Constitucional Direito.
Vamos todos dar as mãos
Na luta contra a Exclusão,
A Segregação e o Preconceito.”
76
E à meu POVO CONTERRANO
Clamo este DESAFIO:
“Erga-se contra a Injustiça
Com indignação e brio,
Com a força do CONTERRANISMO,
Brasilidade e Patriotismo
Construiremos um Novo Brasil.

LUCIO-X O POETA DO CONTERRANISMO


Nenhum comentário:

Postar um comentário